Toma jeito aí, boi!

Toma jeito aí, boi!

O trabalho é um dos temas da Cultura Popular que para mim sempre pareceu o mais difícil de estudar pela falta mesma de exemplares próximos. Encontrar na velha estrada do Cansanção o Seu Zé Luiz, considerado um dos melhores carreiros da região foi presente que peregrina merece!

Imaginar que o carro de boi tem história que se perde no tempo e remonta pelo menos 5 mil anos a partir de quando estudos o situam entre os fenícios, egípcios, babilônios e em meio ao povo hebreu é um susto quando consideramos a evolução tecnológica vinda com os tempos. Mas lá estava ele gemendo, rangendo, levantando poeira mansa, tocado pela voz mais amiga que ameaçadora do moço Zé Luiz.

Pedi licença para subir no carro para não apenas registrar mas viver a experiência nada fácil. Que força! Três parelhas de bois em sintonia e sincronia numa orquestração perfeita dada pela voz e pela longa vara apenas norteadora e que não machuca o animal, mas o conduz.

Eia! Toma jeito aí, boi!

Nasceu e cresceu numa típica família brasileira. Potiguar, morando na Bahia há vinte anos, é médica de formação e pesquisadora da cultura popular. Nos últimos 10 anos abandonou a sua especialidade em cardiologia e ultrassonografia vascular para atuar como médica da família na Bahia e no Rio Grande do Norte, onde passou a recolher histórias e saberes. Nessa jornada publicou cinco livros.”. No final de 2015 passou temporada no Amazonas recolhendo saberes indígenas.
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