A casa dos Almeida

A casa dos Almeida

O imóvel considerado o número um de Jeremoabo fica na rua da Matriz 116, atrás da Igreja de São João Batista. Ele tem o sobrenome de seus proprietários e é conhecido como Casa dos Almeidas. Sua preservação é feita por Sebastião Gonçalves Passos e sua mulher Antonieta, descendente dos antigos donos. O casal mora no imóvel vizinho.

De acordo com Sebastião, o imóvel teria sido construído em 1718. Sessenta anos depois, quando foi criada a freguesia de São João Batista de Jeremoabo do Sertão de Cima, havia outras 31 casas e 252 habitantes.

“Não temos apoio do poder público para preservar a casa” – queixa-se Sebastião.

O ex-secretário de Cultura municipal e historiador Pedro Son revela que falta de documentação que comprove a data da construção e que o local serviu de residência para capitães-mores (autoridades que comandavam a milícia de vilas e cidades) portugueses, o que impede o tombamento e a liberação de verbas oficiais.

Apesar disso, o espaço cultural administrado pelo município mantém em seu acervo fotos do patriarca da família Almeida e da residência, tendo na legenda a indicação “1ª Casa de Jeremoabo”.

PISO E CAPELA ORIGINAIS

Sebastião Gonçalves conta que a casa foi feita de pau à pique e esquecida pelos governos municipal e estadual:

“Só não caiu porque eu fiz algumas obras” – diz.

Antigamente, de acordo com os atuais proprietários, o local era constituído de um salão amplo, um paiol, uma cozinha e um quarto. Com o passar do tempo, a divisão interna foi alterada com a construção de outros dormitórios e compartimentos.

Há 50 anos foram feitas obras nos fundos da casa e trocado parte do madeiramento do teto, destruído por cupins. O piso e a capela, porém, são originais.

Sebastião afirma que o destino das cidades do nordeste da Bahia foi traçado ali. Esporadicamente, estudantes da região visitam a casa.

A primeira foto do imóvel teria sido tirada em 1926. A imagem mais conhecida, porém, é de 1947. Nela, as irmãs Edméia, Elzira e Maria das Neves estão diante da residência. Neste tempo, a casa passou a ser não mais “dos”, e sim “das” Almeida.

Conheça o imóvel por dentro

Jornalista, 57 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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