Geraldo, o poeta agricultor

Geraldo, o poeta agricultor

Geraldo Oliveira, 55 anos, desde criança é apaixonado por literatura de cordel. Gosta tanto das histórias de “bravura, amor e humor” que decora livretos inteiros.

Em 2001, resolveu se aventurar como poeta popular. Deu asas à imaginação e transformou os fatos que ocorrem no povoado de Mucambo, em Riachão de Jacuípe, sua terra natal, em histórias universais.

No tempo vago que cultiva quando não está na lavoura, nem arrancando pedras de terrenos para construir alicerces, Geraldo escreve. Faz questão de usar letra de fôrma para não se embaralhar na hora de reler.

Em seu juízo estão gravados clássicos da literatura de cordel como “O encontro de Lampeão (sic) com Dioguinho”, escrito por Antônio Teodoro dos Santos, baiano de Jaguarari, em 1960.

É só lembrar do conterrâneo que a língua e o coração disparam. E só descansarão quando terminar a interpretação das 32 páginas da obra original, que começa assim:

“Se você não tem lombriga/ Nem sofre do coração/ Leia atenciosamente/ Esta minha narração/ É disputa pesada de Diogo e Lampeão (sic) ”.

Geraldo também sabe de cor “A vitória de Floriano e a negra feiticeira”, de Manuel D’Almeida Filho, paraibano que imortalizou a história de seis amigos que enfrentam feitiços, traições e trapaças mundo afora. Lembra ainda de muitas estrofes feitas pelos nordestinos Manoel Pereira Sobrinho e  por Minelvino Francisco Silva.

cinco CORDÉIS

De sua lavra surgiram cinco tesouros. Um deles se chama “Dois amantes e uma aventura”. É o romance de um adolescente e uma menina de 11 anos que fugiram do povoado, montados em uma bicicleta, e só foram encontrados oito dias depois.

O protagonista, hoje na faixa dos 50 anos, é contraparente do poeta. Ele não gosta de ouvir a história, cujo final, determinado pelas famílias, foi bem diferente do planejado.

Tem ainda “A onça fujona”, baseado no susto tomado por um amigo do autor que se viu diante da fera.

Os outros títulos são “João Melado”, um homem valente que não tem medo de assombrações nem do Coisa Ruim;  “Os dois matutos e o filho da jumenta”, sobre a disputa por um animal, e  “Poemas caipiras”

Os versos fizeram Geraldo, o “poeta agricultor”, ganhar dois concursos nas cidades de Queimadas e Salvador, na época em que ele estudava no Colégio Estadual Rio Branco, em Juazeirinho, no município de Conceição de Coité. O povoado de Mucambo fica na divisa de Riachão de Jacuípe e Coité. O prêmio foi um computador em cada etapa. O poeta representou a Diretoria Regional de Educação de Serrinha.

Confira a interpretação de “João Melado”

Jornalista, 57 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
follow me

Deixe um comentário.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *