Homenagem a jovens camponeses

Homenagem a jovens camponeses

Cerca de mil jovens são esperados na 8ª Assembleia Nacional da Pastoral da Juventude Rural (PJR) – Laura e Uedson, entre os dias 18 e 23 de janeiro, em Caruaru (PE). O tema do encontro será “Terra Mãe, Comunidade e Soberania Alimentar” e homenageará Laura Lorenzoni, primeira secretária da PJR,  que morreu afogada no Rio Grande do Sul, em 1989, ao tentar salvar uma jovem que caíra em um rio.  Outro homenageado é  Uedson Valentim de Araújo, coordenador da Pastoral da Juventude Rural, no Acre. Ele foi morto com um tiro na cabeça, na localidade de Ramal da Espinhara, no município de Bujari, este ano. O crime não foi esclarecido.

A Pastoral da Juventude Rural foi criada em 1983 e tem o Nordeste como prioridade. Segundo dados divulgados pela organização do evento, o Brasil tem 7,8 milhões de jovens no campo, o que equivale a 15,2% da juventude no país. O total de nordestinos é de 3,53 milhões (45,3%). Eles são os que mais migram em busca de renda e estudo. Dois em cada três jovens da região vivem em extrema pobreza.

Jovens de 11 estados já confirmaram participação. Eles estão motivados com as palavras do Papa Francisco: “Nenhum camponês sem terra, nenhuma família sem teto e nenhum trabalhador sem direitos”.

As palavras chaves do movimento são “mãe terra”, que, segundo a liderança do movimento e seus participantes, precisa ser libertada da cerca do latifúndio, do envenenamento feito pela agricultura capitalista”. Neste caso, a luta passa pela preservação de sementes e a implementação da agroecologia.

Outras questões importantes são a fé em Jesus e a esperança da vitória da vida contra a violência da morte no campo. Inclui-se ainda a soberania alimentar, compromisso para produção de produtos saudáveis, sem agrotóxicos, e a compreensão de que os alimentos e a água não são mercadorias e sim direito de todos.

Dentre os objetivos do encontro estão a avaliação do movimento e a percepção do que está acontecendo no país e no mundo, a elaboração da pauta de lutas para o período 2017-2020, a políticas de alianças, a definição de uma nova secretaria e a elaboração de uma carta com os objetivos da juventude camponesa.

ALERTA

“Nascemos no campo, nele vivemos e nele trabalhamos. Saímos dele em busca de estudo, mas lutamos por uma educação no campo e uma escola no campo. voltada para o interesse dos camponeses. Saímos em busca de renda quando as situações naturais nos empurram. Mas, o nosso projeto de vido campo e, quando saímos, a ele queremos retornar.”

“A falta de condições nos leva a fugir dele, pois nos apresentam aa está ns cidades como “lá tem” e por isso é bom viver. Mas sabemos que não é bem assim, os grandes centros urbanos apresentam uma dura realidade: a dificuldade de acesso à moradia de qualidade, a precarização do trabalho e os altos índices de violência, são alguns dos problemas que a juventude enfrenta.”

Esta mensagem, no documento de convocação da assembleia deixa bem claro parte dos principais problemas enfrentados pelos jovens do campo.

Outros dados estatísticos sobre os jovens brasileiros: 49,6% são homens, 50,4%, mulheres. No quesito cor 45% se declara pardo, 15% preto e 34% branco. Cerca de 65% são solteiros, mas 40% têm filhos e 61% vivem com os pais.

Do encontro, também participarão indígenas, quilombolas, moradores de fundo de pasto, ribeirinhos, pequenos agricultores, camponeses agricultores familiares.

Se você quiser conhecer mais sobre a história da pastoral rural acesse

https://pjrbrasil.files.wordpress.com/2014/10/pjr_30-anos.pdf

 

Jornalista, 57 anos, traz no sangue a mistura de carioca com português. Em 1998, após trabalhar em alguns dos principais jornais, assessorias e sites do país, foi para o Ceará e descobriu um novo mundo. Há dez anos trabalha na Bahia, mas suas andanças não param. Formou comunicadores populares nas favelas do Rio e treinou jornalistas em Moçambique, na África. Conhece 14 países e quase todos os estados brasileiros. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.
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