Mês: setembro 2016

O caminho da Santa Cruz

 

“Construiu em Monte Santo
o caminho da Santa Cruz.
O povo dizia na reza:
do céu baixou uma luz.
Quem não fizer o bem,
Dom Sebastião já vem,
mandado do Bom Jesus”

Cordel do poeta Jota Sara que registra a passagem de Antônio Conselheiro, também chamado de Bom Jesus, por Monte Santo. Os seguidores de Conselheiro construíram algumas capelas e as muradas do primeiro trecho da subida para a pequena igreja da Santa Cruz.

Capela encostada no céu

Os cerca de 20 mil peregrinos que participarão da romaria da Sexta-feira da Paixão, em Monte Santo, começam a chegar com 24 horas de antecedência. Esta não é a principal atividade religiosa na cidade. Na passagem do dia 31 de outubro para 1º de novembro, Dia de Todos os Santos, o número de religiosos, pagadores de promessa e turistas chega a 100 mil, muitos deles atraídos por um evento profano: os shows de cantores sertanejos bancados pela prefeitura para movimentar a cidade.

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Imagens severinas

O rosto curtido do sol, as rugas bem marcadas, o olhar arisco. O boné com aba virada para trás é sua marca registrada. Olhando assim, no meio do sol carioca, Severino Silva parece um boiadeiro nordestino na cidade grande. A fala é mansa, baixinha, e a voz só se eleva para falar “das coisas boas de lá”. “Lá” é o Nordeste, o sertão, onde se sente mais à vontade, onde pode voltar a ser criança e brincar com a luz da lua perto de casas de pau a pique ou com a penumbra iluminada na chama de um toco de vela na mão de um romeiro em uma procissão. O Nordeste de Severino é grande, muito além de Pirpirituba, no interior da Paraíba, onde nasceu e de onde saiu ainda menino. É pelas estradas que ele segue para as pequenas cidades e chega de qualquer jeito: pode ser de ônibus, de carona ou a pé. Na inseparável mochila, disputam espaço as duas câmeras, as lentes, uma rede de selva e um saco de dormir. Às vezes, as roupas não conseguem ganhar nem um cantinho, ele confessa em meio a um sorriso.  E diz que pede pouso em qualquer lugar para poder amarrar sua rede em árvores ou se abancar em um canto de alpendre.

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Nordeste, de Severino Silva

A exposição “Nordeste”, de Severino Silva, fotógrafo paraibano radicado no Rio de Janeiro, estreou o espaço de exposições da primeira página do site Meus Sertões, a sessão Galeria. Severino sempre que junta folgas ou tira férias vem para o sertão. De grande sensibilidade, é exaltado e querido por seus colegas jornalistas. Além de exposição, Severino foi entrevistado pela jornalista Angelina Nunes, uma das mais premiadas do país.

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Naufrágio do transporte

O mascate Beltrando Caribé chegou a Januária (MG) pelo rio São Francisco, o melhor e praticamente único meio de transporte da região em 1930. Com o tempo, abriu uma loja de secos e molhados, que revendia produtos comprados no Rio de Janeiro e em São Paulo. Nos anos 30, o comércio fervilhava nas águas do São Francisco, tanto que Beltrando resolveu mudar a loja para a área portuária e estender a venda de produtos para o sul da Bahia e Pirapora (MG). O movimento crescia, os negócios expandiam-se para Goiás. …Ler mais.